Posts by isolda


O sucesso das novelas


Posted By on mar 23, 2015

O que é novela, folhetim, história em capítulos?

Desde o século passado, escrita e lida em jornais da época, os folhetins eram sucesso. Por quê? Porque na verdade, o ser humano precisa de romance, não importa classe social, sexo, religião, raça ou cor. Precisamos alimentar a esperança de que existe uma luz no meio ou no fim do túnel, só que para chegar a essa luz, sempre haverá obstáculos.

Aí é que chegamos aos problemas de audiência televisiva – nossos folhetins atuais -.

Tenho uma amiga, famosa noveleira de carteirinha, que hoje em dia desliga a TV no horário de novelas. Os tais obstáculos afetaram seu sistema nervoso.

Cá entre nós, a vida não está pra brincadeira, mas criar problemas que servem de exemplo para os bandidos de plantão, só pode dar queda de audiência. Infelizmente. Todos nós sabemos que sem conflitos, não têm assunto. Pra se chegar à apoteose, é preciso um grande problema. Mas criar grandes problemas no inicio da história, espanta. Assassinatos, chantagens, torturas, pegam bem nos últimos capítulos, mas e o romance esperado? Assistimos às novelas pelos romances.  E quanto mais romance melhor. É essa a ilusão que cerceia a vida junto com as comédias, vide os filmes de sucesso, as séries, os antigos folhetins.

Mas como de nada adianta falar, repetir, espernear, a coisa continua assim e a culpa vai cair – provavelmente – nos canais pagos que seria outra opção no horário.

Mas, veja bem. Ninguém parou pra notar que as novelas antigas em outro canal de TV, continuam liderando o horário. E todo mundo sabe o final. Por que o sucesso? Mais criatividade ou menos impetuosidade em relação aos conflitos sugeridos? Acredito que emoção, seja a palavra de ordem. Emoção pura, positiva, sincera.

É essa a marca dos grandes trabalhos que caminham em sentido contrário a realidade, ao medo, ao mal estar declarado nos telejornais, procurando encobrir nossa verdadeira natureza, em busca de uma audiência cansativa.

Somos todos românticos.

Novela Dancin Days- Gilberto Braga – Ultimo capitulo – Musica Outra Vez

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IRONICA


Posted By on nov 14, 2014


Entre tantas músicas que meu irmão e eu fizemos, uma em especial foi inesquecível, principalmente por não ter sido feita exatamente por nós dois.

Eu explico. Meu bisavô materno era maestro, compositor e meu avô também. Meu bisavô é responsável por hinos de varias cidades de São Paulo e gravações com alguns grandes cantores da sua época (Francisco Alves, por exemplo). Meu avô não teve a mesma sorte por ter morrido cedo demais, com 30 anos. Mesmo assim, deixou canções lindíssimas, algumas vendidas por meu tio e que até hoje ouço tocar. Portanto, meu irmão e eu herdamos esse lado musical, com muita alegria e orgulho.
Uma noite, nos idos dos anos 70, olhei para cama onde meu irmão dormia e estava vazia. Cadê meu irmão? Levantei, fui até a sala, nada. Fui até a cozinha e ouvi um som de violão vindo do quarto de despejo (que era reservado para estocar mantimentos, onde havia também, um sofá cama). Ele estava lá, sentado com o violão, papel e caneta e me olhou meio que assustado. 
– Musica nova? Perguntei
– Você não imagina o que aconteceu, respondeu ele. Sonhei com vovô. Ele estava regendo uma grande orquestra, que tocava uma música linda. Acordei e me lembrei da música inteira. Estou aqui colocando a letra.
– Foi um presente que ele mandou pra você, eu disse.
– Foi o que eu pensei. Você também acha?
– Foi sim, concordei. Toca pra mim?

E ele tocou a melodia que viria a ser “Irônica”, uma canção que ganharia muitos festivais.

Essa musica foi editada só em nome do meu irmão. O certo seria colocar o nome do meu avô como parceiro. Mas como explicar, uma musica feita por um compositor morto nos anos 30?  Foi melhor aceitar o presente e todas as vezes que essa musica ganhava nos festivais que participávamos, lembrávamos dele e em silencio, a gente agradecia a ajuda, o presente, a herança musical.
 
 

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O GÊNIO


Posted By on ago 12, 2014

Ainda sou do tempo que acredita que “gosto não se discute”. Se 10 pessoas disserem que tal coisa é boa e eu achar que não é, então eu não sou uma boa pessoa?É o que acontece com o grande ator que nos deixou Robin Williams, que apesar do sucesso fabuloso, da genialidade como ator e comediante, deixou transparecer numa entrevista uma piada de mau gosto sobre o Brasil. E daí? Tem muitas coisas que eu também não gosto (coincidentemente as mesmas que as dele). Por causa disso, deixei de ser quem sou?

Robin Williams sempre foi e será um dos meus atores preferidos. Seu talento é insubstituível, seu carisma é inesquecível. Não falo de filmes “pop” como “Uma baba quase perfeita” “Jumanji”, “Hook” ou o chatissimo “A sociedade dos poetas mortos”, que a crítica insiste em repetir, como se fossem os únicos. Mas de filmes interessantes como “Amor além da vida”, “O homem bicentenário”, “Voltar a morrer” “Tempo de despertar” e uma infinidade de outros, não tão bem lembrados pela “critica especializada” – eu tenho lá minha resistência em relação a ela -.

Williams, assim como tanta gente que conheço, sofria do mal do nosso tempo:A depressão.
Isso não é simplesmente uma fraqueza, um vício. Trata-se de uma doença e séria. Ele não era o que se costuma dizer “ajustado a sociedade”.  E isso não é coisa de artista. É coisa de Gênio. E ele era.  Felizmente seu trabalho não se foi com ele, ao contrário; ficou e ficará eterno, iluminando o cinema, mostrando aos que não o conheceram, a arte de atuar. De verdade, sem falsidades, sem “elogios baratos”, na magnitude da sua profissão.

Meus sinceros aplausos ao meu eterno Robin Williams. A gente se vê.

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É PROIBIDO O SUCESSO


Posted By on ago 6, 2014

 
 
Outro dia publicaram um artigo que contava o salario milionário de uma celebridade televisiva e logo abaixo estavam os comentários. 
 
Ninguém se conformava com o fato. Frases como; “… E tanta gente passando fome, no país” ou “eu nunca vou ganhar igual” e mais ainda “ela não merece” e outros tão mais raivosos, que mais um pouco e a coitada seria mais uma vitima de espancamento.
 
Fiquei assustada com o sentimento que a maioria das pessoas tem contra os que conseguem sucesso. O simples fato de saber que outro ser humano se deu bem; incomoda.
 
Daí a questão: – O que vai mudar na vida de uma pessoa que ganha menos, o fato de saber que outra ganha mais? Resposta: Nada. – O que muda, na prática, descobrir que milhões foram pagos para um comercial? Resposta: Nada.
Então, por que criticar uma celebridade, que provavelmente passou a vida lutando para chegar a esse ponto, sem dever a ninguém, muito menos ao povo? Resposta – É proibido o sucesso, proibido ganhar mais, proibido conseguir o que a maioria não consegue.
Ninguém perdoa uma noticia dessas. Mas são aceitos os assassinatos, as tragédias repetidas cem vezes nos noticiários. Isso sim dá IBOPE. Talvez saber que alguém é mais infeliz, diminua a própria infelicidade? Parece que a maioria, continua de certa forma frequentando arenas, para torcer a favor dos leões.
O mundo se modernizou se informatizou, a ciência progrediu, as mulheres se liberaram, porem a mentalidade humana continua a mesma. A violência não está só nas ruas, está nas cabeças, nas revoltas internas, conscientes ou não.
 
E assim, o planeta continua sem descobrir que a felicidade só pode ser alcançada através da fraternidade. Que a melhor maneira de ser feliz seja a alegria, principalmente pelo outro.
É muito complicado perceber que se o outro conseguiu, ele também tem chance de conseguir. Que cada um de nós tem um talento pessoal, um potencial a ser explorado. Complicadíssimo.
Mais uma vez quem estava certo era Tom Jobim quando dizia que “no Brasil, o sucesso é um insulto pessoal”.
Ou a razão esteja na máxima: “O mundo não é ruim, só está mal frequentado”.
 

 

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DISNEY PARA ADULTOS


Posted By on jun 15, 2014

Assisti ao filme: “Malévola”, uma releitura do clássico: “A bela Adormecida”, que no roteiro de Linda Woolverton, produção de Joe Roth e direção de Robert Stromberg vem explicando a vilania nesse conto de fadas, como uma consequência, uma reação. 

Assim como a série “Once upon a time”, o recente “Malévola” repete a receita: O triste passado dos vilões. Provavelmente outros filmes, nessa categoria virão com a mesma mensagem. Se bem que, isso não é novidade. A história de “A bela e a fera” já apresentava um príncipe, que por sua insensatez virou um monstro e assim permaneceu, até sua redenção. Seria essa a lógica? Seriam os vilões, as verdadeiras vítimas?

O fato é que se todos os vilões tivessem o seu lado bom e todos os príncipes o seu lado vilão, seria realidade demais para um conto de fadas. A personificação do bem e do mal está intrínseca na leitura básica da infância. Caso contrário, as mensagens perderiam muito do seu valor. Como o bem venceria o mal, se o mal não fosse exatamente tão mal e o bem tivesse lá seus pecados?

Um conto de fadas é uma lição que se leva pela vida afora, não é exatamente um romance, um folhetim. É mensagem em forma de ilusão, que fica enraizada no fundo do coração de cada criança, que cresce acreditando; O bem sempre vence o mal. Sem mais explicações, sem estudos psicológicos dos vilões, simples assim.

Não deixa de ser interessante a visão “para adultos” da Disney, assim como outras óticas sob o mesmo tema, mas pra mim, especialmente, nada vai superar o conto clássico. Com princesas, príncipes, bruxas malvadas e fadas madrinhas.

Apesar de tudo, é assim, através da fantasia, que consigo entender um pouco melhor a realidade. 
Seja ela ou não, um mero conto de fadas.

Melhor diálogo do filme

Aurora- Eu sei quem você é
Malevola – Ah, você sabe? Quem eu sou?
Aurora – Você é minha fada madrinha…

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